


As baleias jubarte estão espalhadas pelo mundo formando várias populações. A primeira grande divisão ocorre entre as jubartes do hemisfério norte e as do hemisfério sul. Como a migração para as baixas latitudes (águas tropicais próximas à linha do Equador) ocorre sempre no inverno, e uma vez que as estações do ano são invertidas nos dois hemisférios, quando a população do hemisfério sul encontra-se próxima à linha do Equador a população do hemisfério norte está se alimentando nos mares gelados próximo ao Ártico e, da mesma forma, quando as jubartes do hemisfério norte se deslocam em direção à linha do Equador as do sul encontram-se em suas áreas de alimentação próximas à Antártida.
Rotas migratórias entre as áreas de alimentação e reprodução das distintas populações de baleias jubarte
Mas mesmo dentro dos hemisférios existem divisões. A separação entre algumas populações no hemisfério sul não está completamente definida e novos avanços são feitos à medida que são realizadas análises genéticas e comparações através de fotoidentificação. Segundo a Comissão Internacional da Baleia (CIB) considera-se que hoje existem sete subpopulações de baleias-jubarte nas áreas de reprodução do hemisfério sul, com correspondentes locais de alimentação. A população “A” é a que freqüenta o Atlântico Sul Ocidental, ou seja, a população que migra anualmente para o Brasil. Além desta existe a população “B”, que freqüenta a costa oeste da África, a população “C” na costa leste do oceano Indico, a população “D” na costa oeste da Austrália, população “E” na costa leste da Austrália, Nova Caledônia e ilhas Tonga, população “F” na Polinésia Francesa e ilhas Cook e a população “G” que freqüenta a costa oeste da América do Sul. Além destas sete existe uma curiosa população denominada população “X”. Esta população habita o Mar da Arábia nas proximidades de Oman, Paquistão e Índia. É a única população de jubartes que aparentemente não migram em busca de águas frias para se alimentar, sendo observadas durante todo o ano em águas tropicais.
Um dos grandes desafios no estudo das baleias é calcular quantas baleias-jubarte existiam antes da caça e quantas existem hoje em dia. As estimativas sobre o tamanho das populações de baleias apresentam grande dificuldade pela ampla área que estes animais ocupam e pela dificuldade de observá-los. Alguns estudos apontam que a população original de baleias jubarte deveria ser da ordem de 250.000 a 350.000 e acredita-se que durante o período de caça esta população foi reduzida em 90 a 95%.
Para a população “A”, que se reproduz em águas brasileiras, existem registros de encalhes e avistagens de baleia jubarte ao longo de praticamente toda a nossa costa, indo do Rio Grande do Sul ao Piauí, incluindo o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. Mas apesar deste registro extenso, a maior concentração de baleias ocorre no Banco dos Abrolhos, sendo esta a principal área de reprodução da espécie no Atlântico Sul Ocidental. Nos últimos anos, as avistagens de baleias jubarte no litoral norte da Bahia, incluindo a região metropolitana de Salvador, passaram a aumentar significativamente, indicando a recuperação desta população e sugerindo o repovoamento de uma antiga área utilizada pela espécie antes da época da caça. Portanto a Bahia e o Espírito Santo constituem as áreas com maior concentração de baleias-jubarte no Brasil. Os levantamentos realizados pelo Instituto Baleia Jubarte permitiram compreender como as baleias-jubartes utilizam e se deslocam nas regiões ao norte e ao sul da concentração reprodutiva e qual a importância destas áreas para a reprodução e recuperação da espécie no Brasil. As estimativas mais recentes, feitas através de sobrevôos realizados no âmbito deste mesmo estudo, indicam uma população de cerca de 6251 indivíduos da espécie para a costa brasileira.
Um dos aspectos fascinantes de se estudar as baleias jubarte é que elas têm uma longa expectativa de vida. Estima-se que as jubartes possam viver mais de cinqüenta anos, se não forem vítimas de nenhum dos impactos ocasionados pelo homem. Desta forma pesquisadores e baleias podem compartilhar décadas de suas vidas um com o outro, assim como velhos amigos compartilhando suas lembranças.