


Com o objetivo de estudar o comportamento das baleias jubarte, o Instituto Baleia Jubarte realizou durante 06 anos (1998 a 2004) amostragens a partir de um ponto fixo (“PF”) localizado na Ilha de Santa Bárbara, no arquipélago dos Abrolhos. A área ao redor do arquipélago é caracterizada pela ocorrência de um grande número de baleias jubarte e constitui local de fundeio preferencial para as embarcações de turismo e passeio que freqüentam o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos/IBAMA. A soma destes dois fatores faz do arquipélago dos Abrolhos um ponto importante de observação do comportamento das baleias relacionado à presença e à ausência de embarcações, possibilitando determinar o quanto a aproximação dos barcos altera o comportamento destes “dóceis gigantes”. Para este trabalho foi escolhido um teodolito, equipamento originalmente usado para topografia de terrenos e neste caso adaptado para a obtenção do posicionamento, distância e velocidade das baleias. O teodolito mede os ângulos vertical e horizont al de um alvo, no caso as baleias e/ou barcos, em graus, minutos e segundos.
Por trigonometria simples, a partir do conhecimento da altura exata do ponto fixo, transforma-se os ângulos em coordenadas geográficas. Todos os comportamentos realizados pelas baleias e as medições do teodolito são registrados simultaneamente pelo programa “Aardvark”, desenvolvido pela Universidade de Cornell (EUA). Este programa, além de reproduzir o percurso realizado pela baleia, calcula uma série de variáveis e índices relacionados à sua movimentação. O computador acoplado ao teodolito é abastecido através de um painel solar. A área de estudo engloba 5 milhas náuticas ao redor da Ilha de Santa Bárbara. A equipe é formada por três pessoas: um observador principal que manuseia o teodolito, observa e dita o comportamento das baleias; um registrador que digita os comportamentos no computador e um observador secundário, que utilizando um binóculo – que possui um ângulo de visão maior que o do teodolito - alerta o observador principal sobre a aproximação de embarcações, outros grupos de baleias e informa sobre algum comportamento que possa passar desapercebido pelo observador principal.
São duas as metodologias utilizadas: varredura e observação focal. Diariamente é realizada uma varredura, com objetivo de quantificar o número de baleias e grupos avistados, caracterizando-os quanto à estrutura de grupo e estado comportamental ao longo das temporadas reprodutivas. A observação de animal focal, com registro de todos os comportamentos, estuda o comportamental das baleias na presença e na ausência de embarcações. Devido à dificuldade de acompanhar e registrar todos os comportamentos realizados por baleias em grupos de mais de três animais, o foco das observações são os grupos menores. Em dias chuvosos, com vento forte superior a 20 nós ou grande nebulosidade o estudo não é realizado para não comprometer a qualidade dos dados.