

Determinação das causas de mortalidade e resgate de mamíferos aquáticos

Baleias e golfinhos passam toda sua vida no ambiente aquático. Ocasionalmente estes animais podem chegar às praias ou ficar presos em águas rasas; neste caso dizemos que o animal está encalhado.
Diversas são as causas para o encalhe de uma baleia ou golfinho. Entre elas temos a ocorrência de doenças, que podem ser agravadas pela poluição marinha ou pela presença de toxinas naturais como por exemplo os fenômenos de maré vermelha; a fuga de predadores ou, no outro extremo, a perseguição a presas poderiam levar um golfinho a encalhar; o emalhe em artefatos de pesca (redes, espinhel, etc.) ou a colisão com embarcações são fatores diretamente relacionados com a interação com atividades humanas; condições climáticas adversas (tempestades, furacões) e condições topográficas e oceanográficas tais como variações de maré, praias de relevo plano também podem ocasionar o encalhe; para algumas espécies a coesão social ou seja, o comportamento de manter o grupo unido, poderia fazer animais sadios acompanharem outros doentes até a praia, ocasionando encalhes em massa; e mais recentemente sonares da Marinha Americana têm sido responsabilizados por encalhes em massa, especialmente de baleias bicudas. Existe, além disso, uma discussão mundial a respeito do papel dos levantamentos de sísmica marinha nos encalhes de cetáceos.
Muitas das espécies de mamíferos aquáticos encontram-se ameaçadas de extinção, outras são tão pouco conhecidas que não é possível nem ao menos estabelecer uma classificação em relação ao seu status de conservação. Assim, os encalhes se revestem de importância na medida em que permitem um estudo mais próximo destes animais.
Os mamíferos aquáticos além disso possuem características que os tornam bons indicadores da “saúde” do meio ambiente marinho tais como vida longa e o fato de encontrarem-se no topo da cadeia alimentar. Desta forma, alterações a médio e longo prazo na qualidade do ambiente marinho, tais como aumento da quantidade de poluição, presença de toxinas, etc. podem ser determinadas pelo estudo dos animais encalhados.
Um animal encalhado é também um risco para a saúde pública. A curiosidade da população em relação às baleias e golfinhos encalhados faz com que muitas pessoas tenham contato com animais vivos ou carcaças em decomposição. Muitas doenças destes animais constituem-se em zoonoses, ou seja, doenças que podem ser transmitidas naturalmente entre os animais e o homem. Por este motivo, é importante que o atendimento aos animais encalhados seja feito por profissionais qualificados.
O Instituto Baleia Jubarte conta com um Programa de Resgate de Mamíferos Aquáticos para atuar nos encalhes no litoral da Bahia e Espírito Santo. Nos casos de encalhes de animais vivos a prioridade é tratá-los de modo que possam ser devolvidos com segurança de volta ao mar. No caso do encalhe de animais mortos são realizadas necrópsias para descobrir a causa da morte do animal. Os estudos do IBJ demonstram que a imensa maioria dos encalhes ocorre no litoral da Bahia, seguido respectivamente pelo Espírito Santo e Rio de Janeiro.
O resgate de um cetáceo de grande porte como uma baleia jubarte é um desafio, pois envolve mover com cuidado um animal que pode pesar até 40 toneladas. Muitas vezes a baleia já se encontra debilitada ou sofrendo pelo seu peso e pelo aumento de temperatura, mas é importante que sejam feitos todos os esforços para devolvê-la de volta ao mar. No Brasil já se obteve sucesso no resgate de baleias-jubarte encalhadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina. A velocidade com que acontecem os primeiros procedimentos de resgate do animal, o trabalho coordenado e os equipamentos adequados são fatores fundamentais para o sucesso deste trabalho.