


BOTO CINZA
Identificação: Embora pequeno, o boto cinza é um animal robusto e de nadadeiras relativamente grandes. Sua coloração é cinza escura no dorso e pode variar entre branco, cinza claro e cor-de-rosa no ventre. Há uma suave e discreta listra que segue do olho à nadadeira peitoral, mais clara na sua parte ventral. Sua nadadeira dorsal é pequena e tem forma triangular, enquanto as peitorais são largas e longas. Não apresenta dimorfismo sexual significativo entre machos e fêmeas.
Distribuição: O boto cinza, Sotalia guianensis, ocorre somente no Oceano Atlântico Sul Ocidental desde Florianópolis, em Santa Catarina, sul do Brasil, até Honduras, na América Central. O Banco dos Abrolhos é o local de distribuição onde a espécie mais se afasta da costa, devido ao alargamento da plataforma continental da região, constituindo também uma das poucas áreas onde é encontrada associada a ambientes coralíneos. Aparentemente, as populações de botos-cinza não realizam grandes deslocamentos, permanecendo em uma mesma área durante todo o ano, a exemplo de alguns animais que foram vistos numa mesma área no sul do Brasil de cinco a dez anos consecutivos. No estuário do rio Caravelas sete indivíduos já foram registrados durante três anos consecutivos.
Hábito de vida: O boto cinza é conhecido por seu comportamento tímido e arisco, geralmente observado em grupos pequenos (média de quatro indivíduos) e evitando aproximações de qualquer tipo de embarcação. Entretanto é possível observar saltos diversos, principalmente quando está em forrageamento, quando o boto cinza pode agir sozinho ou em grupos cooperativos. De modo geral, sua alimentação é composta por peixes e cefalópodes neríticos. Na região do estuário do rio Caravelas o boto cinza demonstra uma curiosa estratégia de alimentação, indo até o fundo marinho lodoso para capturar peixes e camarões e voltando à superfície com o corpo coberto por lodo, onde pode ser fotografado. Existem registros de interações com outras espécies, principalmente aves, como o atobá-marrom, fragata, trinta-réis e gaivota, durante as atividades de alimentação. Seus predadores naturais podem ser orcas ou tubarões: recentemente têm-se atribuído a mordidas de tubarões marcas observadas no dorso de alguns golfinhos.
Habitats: É uma espécie de golfinho costeira, que habita preferencialmente baías protegidas, estuários e manguezais, onde encontra a maioria dos peixes e camarões dos quais se alimenta. Na região nordeste, o boto cinza também é observado em praias protegidas, como é o caso da Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte e Praia de Iracema, no Ceará. Ocorre ainda em áreas costeiras mais abertas, como nas extensas praias do extremo sul da Bahia e em algumas poucas regiões associado a ambientes coralíneos, como no banco dos Abrolhos.
Conservação: O status de conservação da espécie é “dados insuficientes” em toda sua distribuição, inclusive no Brasil, onde recebe esta classificação no Plano de Ação de Mamíferos Aquáticos I e II. As maiores ameaças que afetam o boto cinza estão diretamente relacionadas à destruição dos habitats ao longo de sua área de distribuição, incluindo a poluição por efluentes industriais, agrotóxicos, construções de barragens hidrelétricas e irrigação e desmatamento das margens dos rios, lagos e mangues. O aumento do tráfego de embarcações e o desenvolvimento urbano nas regiões costeiras, bem como a exploração dos manguezais e estuários, vêm gradativamente afetando a estabilidade das populações de botos-cinza. O turismo desordenado, a redução dos estoques pesqueiros e as capturas acidentais em redes de pesca também são problemas comuns na área de ocorrência da espécie.