As Expedições

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Desde 1988, com a criação do Projeto Baleia Jubarte, a presença desta espécie vem sendo estudada de forma continua no banco dos Abrolhos. Com a instalação de uma base do Instituto na Praia do Forte, começou-se em 2001 a pesquisar a ocorrência das baleias jubarte no litoral norte da Bahia, área de ocorrência histórica da espécie que vinha demonstrando sinais de reocupação.

Mas embora a importância do litoral da Bahia e do Espírito Santo como áreas de concentração reprodutiva da baleia jubarte seja bem conhecida, a presença da espécie não está restrita a esta área de reprodução, existem registros de sua ocorrência através de avistagens e de animais encalhados desde o Rio Grande do Sul até o Piauí, incluindo áreas afastadas da costa como o Arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. Estes registros em geral são esparsos e não coletados de forma sistemática. Qual a importância destas outras áreas para a conservação da baleia jubarte?

Com o objetivo de preencher estas lacunas de conhecimento sobre o status populacional e distribuição da espécie, o IBJ realizou duas grandes expedições ao longo da costa, através de cruzeiros de pesquisa e observação de comportamento ao norte e ao sul da concentração reprodutiva já conhecida ( Abrolhos e litoral norte da Bahia) e do aprofundamento dos estudos genéticos, criou-se uma estratégia de ação visando estudar esta espécie e levantar dados sobre os demais cetáceos e outros animais marinhos que também ocorrem na área de estudo.

Expedição Cetáceos do Nordeste

A primeira expedição, intitulada Cetáceos do nordeste, cobriu a costa nordestina, partindo de Salvador – Ba e seguindo até o Rio grande do Norte, passando pelas ilhas oceânicas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas, retornando a Salvador. Durante dois meses de expedição foram percorridas 1700 milhas náuticas, o equivalente a mais de 3.100 km. Nesta expedição foram registrados 31 grupos de baleias jubarte, num total de 59 indivíduos, dos quais10 eram filhotes. A presença de filhotes foi observada em todos os estados do nordeste, onde se registrou a presença de baleias jubarte.Estes dados sinalizam a importância de todo o litoral nordestino para o nascimento e cria dos filhotes das baleia jubarte.

Expedição Cetáceos do Nordeste

Além da baleia jubarte, foram registradas outras cinco espécies de cetáceos, dentre as quais, o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) e o boto-cinza (Sotalia guianensis) foram as mais observadas, provavelmente, por terem o hábito costeiro, assim como a jubarte. Os outros cetáceos observados foram o golfinho de dentes-rugosos (Steno bredanensis), a baleia-minke (Balaenoptera acutorostrata) e o golfinho-rotador (Stenella longirostris), este último com avistagens próximas a sua área de concentração em Fernando de Noronha.

A presença das baleias jubarte ao longo do litoral nordestino sinaliza a recuperação da população desta espécie que se reproduz na costa brasileira mas, também, ressalta a importância do monitoramento e a continuidade de ações conservacionistas para que essa recuperação seja garantida.

Expedição Cetáceos do Sudeste

Com a Expedição cetáceos do Nordeste procurou-se conhecer melhor a ocorrência da baleia jubarte ao norte de sua concentração reprodutiva. Para estudar as jubartes ao sul desta concentração foi realizada em Junho de 2005, a segunda expedição promovida pelo Instituto que foi denominada Expedição Cetáceos do Sudeste.

Com os mesmos objetivos da Expedição Cetáceos do Nordeste, mas dando ênfase aos períodos migratório da espécie, a expedição foi realizada em duas etapa, estabelecidas para coincidir, respectivamente, com o período de chegada e partida das jubartes em nossas águas.Na primeira etapa, a expedição partiu de Santos-SP, fez uma parada em Macaé-RJ e seguiu até Vitória-ES em 21 dias de expedição, foram percorridas mais de 994 milhas náuticas, o equivalente a cerca de 1840 km. Nesta fase foram avistados 27 grupos de baleias jubarte, num total de 53 indivíduos e não foi observado nenhum filhote, o que não foi surpresa para a equipe, já que esta primeira fase foi realizada durante a chegada das baleias jubarte ao Brasil.

Expedição cetaceos do sudeste

Além das jubartes foram avistadas outras espécies de cetáceos, sendo uma delas a rara baleia-sei (Balaenoptera borealis), a terceira maior espécie de baleia, que pode chegar a quase 20 metros de comprimento, a baleia-minke-antártica (Balaenoptera bonaerensis), além de espécies de golfinhos como o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), o mais comum, o golfinho-de- risso (Grampus griséus),o boto-cinza (Sotalia guianensis), a falsa-orça (Pseudorca crassidens), o golfinho-pintado-pantropical (Stenella attenuata) e o golfinho-comum-de-bico-longo (Delphinus capensis).

A segunda fase desta expedição foi realizada entro os meses de Novembro e Dezembro de 2005, no fnal da tremporada reprodutiva das baleias jubarte. A expedição partiu de Caravelas- Ba, onde o IBJ tem uma base, e percorreu a costa do Espírito Santo e Rio de Janeiro até a divisa com São Paulo, retornando à Caravelas-Ba. No total foram 35 dias de viagem e 976 milhas náuticas foram percorridas( aproximadamente 1.817 km). Foram avistados 28 grupos de jubartes, num total de 65 baleias, das quais 15 eram filhotes.

Bacia de Campos-RJ

Baleia-minke-antática (Balaenoptera bonaerensis)

Outras seis espécies de cetáceos, além das baleias jubartes, foram observados. O destaque ficou para as baleias-de- bryde (Balaenoptera edeni) avistadas nas proximidades de Arraial do Cabo-RJ, e dois grupos muito próximos à vila do Abraão em Ilha Grande- RJ. Estas últimas apresentavam um comportamento que indicava que elas estavam se alimentando. Os golfinhos observados com mais freqüência foram o boto-cinza (Sotalia guianensis), o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), o golfinho-comum-de-bico-longo (Delphinus capensis), o golfinho-de-dentes- rugosos (Steno bredanensis) e o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontallis).

As expedições Nordeste e Sudeste amostraram mais de 6.700 Km e permitiram a observação de 177 baleias jubarte e de outras 13 espécies de cetáceos, ou seja, 36% das 39 espécies registradas para o Brasil. Estas expedições possibilitaram um inicio de expansão da área de estudo das baleias jubartes e sinalizaram que o nascimento de filhotes ocorre em outros estados do nordeste além da Bahia. Também apontaram que o limite sul de ocorrência da espécie durante a migração parece ser o litoral norte do Rio de Janeiro, na altura de Cabo Frio.

Expedição Geórgias do Sul

A terceira e ultima expedição contemplada neste projeto, foi a “Expedição Geórgia do Sul” suposta área de alimentação das baleias jubarte que se reproduzem na costa brasileira. Com a finalidade de identificar o destino migratório das jubartes brasileiras e subsidiados por informações preliminares, um grupo de pesquisadores do IBJ partiu de Mar del Plata, na Argentina rumo à Geórgia do Sul em Janeiro de 2006, a bordo do veleiro Kotic II conduzido através do mar de Scotia, um dos piores do mundo para navegação, pelo experiente velejador francês Oleg Bely, os pesquisadores brasileiros tinham como objetivos fotoidentificar as baleias avistadas e coletar amostras de pele e gordura para análises de DNA que em seguida seriam comparados aos dados coletados pelo Instituto no Brasil.

A expedição durou 45 dias, desde a saída até o retorno ao continente sul-americano, a equipe permaneceu 26 dias na região da Geórgia do Sul, percorrendo cerca de mil milhas náuticas próximo à costa norte da ilha em busca de baleias jubarte. Durante toda a expedição apenas uma dupla de jubartes foi registrada.

Expedição georgias do sul

Além da dupla de jubarte, a ocorrência de outros cetáceos foi registrada. As espécies observadas foram uma baleia-bicuda (Mesoplodon layardii), 3 baleias-franca (Eubalena australis), um grupo composto por 20 baleias-fin (Balaenoptera physalus), um grupo com 5 orcas (Orcinus orça) e 3 grupos grandes de golfinhos conhecidos como cruzados ou de ampulheta (Lagenorhynchus cruciger).

Apesar da diversidade de espécies avistadas, as densidades foram consideradas baixas pela equipe de pesquisa, levando-se em consideração a área percorrida e, principalmente, as estimativas populacionais de jubartes realizadas pelo IBJ no Brasil e que sugerem um número mínimo de 6500 individuos desta espécie se reproduzindo em águas brasileiras. O baixo número de baleias encontradas, provavelmente reflete os dados históricos, que demonstram que as populações de baleias, principalmente jubartes, foram quase dizimadas do oceano austral. Outro fator a ser considerado é a movimentação das baleias em busca dos cardumes de Krill, um pequeno camarão que constitui seu principal recurso alimentar. O deslocamento das baleias para uma possível concentração de krill, por exemplo no Mar de Weddell, mais ao sul da área amostrada, pode ter influenciado os resultados obtidos.

Uma nova expedição a Antártica está sendo planejada pela equipe de pesquisadores do IBJ,cobrindo uma áreas adjacentes à Geórgia do Sul, como por exemplo as ilhas Sandwich, para que novos dados possam ser coletados esclarecendo desta forma os dados obtidos com a primeira expedição.

Por se tratar de dados preliminares, novas saídas são necessárias para aumentar a confiabilidade destas informações. A presença de baleia jubarte na costa do Brasil é um processo dinâmico e com o crescimento da população, áreas que até então não eram consideradas preferenciais para a espécie podem vir a se tornar importantes para sua conservação. O monitoramento desta ocupação permite a tomada de ações visando a conservação e estimulando o uso não letal e responsável das baleias como, por exemplo, a pesquisa, o turismo de observação de baleias (whalewatching) e a educação ambiental, em todas as áreas em que as baleias estão ocorrendo, como uma ferramenta contra a volta da caça comercial, servindo também como subsidio para a proposta de criação do “ Santuário do Atlântico Sul”, região compreendida entre a linha do Equador e a Antártida e onde todas as espécies de baleias serão protegidas integralmente.

O Instituto Baleia Jubarte planeja para 2008 novas expedições para amostragem dessas áreas, coletando novos dados que sirvam para embasar as informações coletadas nas expedições anteriores.

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