


Marcas naturais e artificiais servem para identificar individualmente as baleias. Nas jubartes o padrão de manchas (pretas e brancas) e o formato da nadadeira caudal são característicos de cada baleia, servindo para diferenciá-la de outras de sua espécie. São como impressões digitais humanas, ou seja, exclusivas de cada indíviduo. Pode-se também reconhecer individualmente uma jubarte através das diferenças na forma e tamanho de sua nadadeira dorsal.
A fotoidentificação da nadadeira caudal das baleias jubarte se tornou uma das mais efetivas ferramentas para o conhecimento das rotas migratórias, uso de habitat, história de vida e comportamento das diferentes populações. Adotada em várias áreas de reprodução e alimentação ao redor do mundo e por este fato possibilitando o intercâmbio entre diferentes grupos de pesquisa, esta técnica permite o monitoramento a curto, médio e longo prazo destes cetáceos, além de fornecer estimativas populacionais e o acompanhamento individual dos membros de um grupo. Através da fotoidentificação é possível ainda obter informações valiosas tais como o intervalo reprodutivo das fêmeas e as taxas de natalidade e de mortalidade, bastante úteis para se avaliar a “saúde” de uma população de jubartes.
As nadadeiras caudais são classificadas no catálogo do IBJ em cinco padrões de pigmentação, desde as totalmente
brancas, mais comuns no hemisfério sul, até as completamente ou quase completamente pretas, que predominam nas
populações de baleias jubarte do hemisfério norte. O padrão 1 é representado pela face ventral da nadadeira
quase completamente branca (até 95%). Este padrão foi dividido em 1A, no qual não há faixa escura na região
central da nadadeira e 1B, quando esta faixa ocorre mas encontra-se incompleta. O padrão 2 é representado
pelas nadadeiras caudais com até 75% de cor branca, com uma faixa negra central; o padrão 3 é de 50% de
coloração branca; o padrão 4 com 25% ou menos de coloração branca e o padrão 5, quase completamente negro, com
menos de 5% de coloração branca. No Brasil predominam os padrões 1 e 2.
A fotoidentificação das baleias jubarte é realizada regularmente pelo IBJ durante os cruzeiros de pesquisa
realizados prioritariamente no banco dos Abrolhos e litoral norte da Bahia, na concentração reprodutiva da
espécie. Expedições planejadas para responder questionamentos mais específicos são periodicamente realizadas
em outros trechos do litoral brasileiro ou mesmo no exterior. Os resultados obtidos são frequentemente
complementares àqueles encontrados através de outras metodologias, tais como os estudos de genética.
O Instituto Baleia Jubarte possui o terceiro maior catálogo de fotoidentificação de nadadeiras caudais de
baleias jubarte do hemisfério sul, o único elaborado e mantido por uma única organização. Através da cooperação
com outras instituições de pesquisa, o IBJ tem obtido informações valiosas para o conhecimento e conservação
da espécie no Brasil, entre as quais a recente identificação da correspondente área de alimentação das jubartes
brasileiras em águas subantárticas, nas adjacências da ilha Geórgia do Sul. A identificação de um mesmo animal
no litoral norte da Bahia e no banco dos Abrolhos, em anos distintos, indicando que indivíduos de uma mesma
população utilizam uma grande área ao longo da costa é outro importante resultado destes estudos. Mais de duas
mil e quinhentas baleias jubarte foram fotoidentificadas pelo Instituto Baleia Jubarte entre 1988 e 2005.