A Baleia Jubarte
Hábitos e Ciclos de Vida

A baleia jubarte é uma espécie cosmopolita, habita todos os oceanos. Assim como algumas outras espécies de baleias, a jubarte realiza uma migração anual. Durante o verão ela se dirige às águas polares para se alimentar e durante o inverno migra para águas tropicais e subtropicais para acasalar e dar à luz. Assim, no hemisfério sul as jubartes chegam por volta de junho/julho e permanecem até novembro/dezembro, quando retornam para as áreas de alimentação. As áreas de reprodução da espécie são tipicamente próximas a ilhas ou continentes e/ou associadas a ambientes coralíneos. A espécie se reproduz ao longo da costa nordeste do Brasil e o Banco dos Abrolhos é o maior berço reprodutivo do Atlântico Sul.

Para conhecer melhor seu ciclo de vida vamos imaginar como seria a vida de uma jubarte: estamos em agosto, próximo ao arquipélago dos Abrolhos. Após 11 ou 12 meses de gestação uma fêmea entra em trabalho de parto. A baleia começa a ter contrações e na fenda genital aparece a primeira porção do filhote. Em outras espécies de cetáceos em que foi acompanhado o parto, a cauda do filhote aparece primeiro, ao contrário do que é observado em outros mamíferos. Isto ocorre porque até a ocasião do nascimento o aporte de oxigênio do filhote é repassado através do cordão umbilical, mas neste momento o cordão se rompe e o recém-nascido precisa chegar rapidamente à superfície para respirar pela primeira vez.

É possível que sua mãe nade sob ele e o apóie em suas costas, ajudando-o a subir à superfície, onde ele então infla seus pulmões pela primeira vez. Sua pele é cinza claro e sua nadadeira dorsal ainda é mole e dobrada para facilitar o nascimento. Embora as jubartes possam ter filhotes em anos consecutivos, em geral o intervalo entre os nascimentos é de dois a três anos. Sempre nasce um único filhote, já medindo cerca de quatro metros de comprimento e pesando por volta de 800 a 1000 Kg.

Após nadar e respirar o filhote irá mergulhar para mamar pela primeira vez. O leite das baleias possui um alto teor de gordura, cerca de 40%, que irá fornecer a energia necessária para o crescimento do filhote. Durante a amamentação, os pesquisadores frequentemente observam a fêmea com o corpo em posição vertical, com a cabeça voltada para o fundo do mar e a nadadeira caudal exposta acima da superfície. Supõe-se que desta forma as glândulas mamárias permaneçam mais próximas da superfície, permitindo que o filhote suba para respirar com mais facilidade.

Os próximos meses serão críticos para a sobrevivência do filhote, quando ele estará mais sujeito ao ataque de predadores como tubarões, poderá ficar emalhado em redes de pesca ou, caso se perca de sua mãe, poderá morrer por inanição. Por isso as baleias jubarte permanecem o tempo todo ao lado de seus filhotes, mantendo um contato corporal intenso neste período. Se algum barco se aproxima a fêmea mantém seu corpo entre o filhote e a embarcação, como forma de protegê-lo.

Enquanto fêmeas sem filhote e machos adultos iniciam a migração para as áreas de alimentação, esta fêmea espera o final da temporada até que seu filhote tenha crescido e desenvolvido uma camada de gordura que permita que ele a acompanhe em uma viagem de mais de 4 mil km até as águas geladas nas proximidades das ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul, locais onde baleias de Abrolhos já foram avistadas. Esta viagem poderá se iniciar em dezembro e durar cerca de dois meses.

Por volta dos seis aos 10 meses de vida o filhote irá desmamar. Neste período é provável que ele intercale o consumo do leite materno com a captura de krill (Euphasia superba), um pequeno crustáceo semelhante ao camarão que ocorre em abundância nos mares polares durante os meses de verão. O filhote irá aprender com sua mãe as técnicas para capturar o alimento. É importante que tanto a mãe como seu filhote consigam ingerir uma grande quantidade de krill. As jubartes só se alimentam durante o verão e precisam acumular energia na forma de gordura. Esta reserva energética permite que suportem um jejum de alguns meses durante a temporada em águas tropicais – onde não existe krill. Após este período, o filhote fará com a mãe sua primeira migração de retorno ao local onde nasceu.

Com o fim do verão e a proximidade do inverno a baleia e seu filhote iniciam a longa viagem de volta. Ao chegarem ao Brasil o filhote, já independente e tendo aprendido a rota de migração, poderá permanecer mais algum tempo junto de sua mãe ou separar-se dela, passando a interagir com outros grupos. Nesta fase terá entre oito e nove metros de comprimento. Embora independente, ainda não estará completamente desenvolvido. Ele irá realizar ainda quatro ou cinco migrações completas antes de atingir sua maturidade sexual por volta dos quatro ou seis anos de idade, quando medirá de 11,6 a 12 metros de comprimento. As fêmeas dão à luz pela primeira vez por volta dos seis anos de idade.
 

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