Conservação

A conservação das grandes baleias é um tema que vem se tornando cada vez mais complexo. Milhares de pessoas se mobilizaram em vários países para evitar sua extinção pela caça indiscriminada, e graças a isso várias espécies e populações estão se recuperando ao redor do planeta. Mas hoje as baleias enfrentam outros desafios para a sua sobrevivência, e depende de nós reduzir o impacto humano nos oceanos para assegurar um futuro harmônico e saudável para as baleias - e para as pessoas!

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Caça

Como todas as espécies de grandes baleias, as baleias-jubarte sofreram uma imensa depredação pela caça comercial indiscriminada, que iniciou ainda no século XVIII e se estendeu, para a espécie, até os anos 1960 no Hemisfério Sul. Estima-se que mais de 300.000 jubartes tenham sido mortas por essa prática predatória, até sua proibição pela Comissão Internacional da Baleia, em 1965.

 No Brasil, as jubartes foram caçadas desde 1602, primeiro na região do Recôncavo baiano, com a chegada dos baleeiros bascos, e depois pelas estações costeiras de caça à baleia, chamadas Armações, que se estabeleceram entre a Bahia e Santa Catarina e mataram jubartes sistematicamente pelo menos entre a Bahia e o litoral de São Paulo. Na primeira metade do século XX, baleeiros noruegueses e japoneses trouxeram navios para matar as baleias que restavam em águas brasileiras, um massacre que só terminou de vez em 1985 quando o então Presidente José Sarney suspendeu a caça de baleias no país. Em 1987, a aprovação pelo Congresso da Lei Federal 7.643, que proíbe a captura e o molestamento intencional de toda espécie de cetáceo em águas jurisdicionais brasileiras, coroou quase duas décadas de campanhas contra a matança por ativistas brasileiros, e inaugurou uma nova política de Estado do Brasil a favor da conservação e do uso exclusivamente não-letal desses animais através da pesquisa cientifica e do Ecoturismo.

 

Na Praia do Forte, as ruínas da armação baleeira existente no que hoje são os jardins do Tivoli Ecoresort constituem um dos mais antigos testemunhos históricos da atividade baleeira ainda existentes no Brasil.

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Poluição

Como todos os demais mamíferos, e especialmente por serem animais de topo de cadeia alimentar, as baleias são impactadas pela contaminação dos oceanos por poluição. Em particular, compostos químicos que deprimem o sistema imunológico e a capacidade reprodutiva, como os provenientes de agrotóxicos e outros compostos como tintas antiincrustantes utilizadas em cascos de embarcações, podem causar sérios danos aos animais.

 

Os plásticos nos oceanos também são um problema grave. Eles não só sufocam ou matam os animais de fome, entupindo o sistema digestivo quando ingeridos, mas ainda contaminam toda a cadeia alimentar através de sua degradação em microplásticos, com enormes danos potencias à saúde e à capacidade reprodutiva dos animais marinhos (e nossa também cada vez que comemos pescado!).

 

A poluição acústica também é um problema muito grave nos oceanos, que afeta diretamente os cetáceos, de vez que esses animais utilizam o som para se comunicar e se orientar no meio marinho. A realização de atividades sísmicas para exploração mineral, o uso de potentes sonares com fins militares e o ruído do tráfego marítimo, principalmente em zonas portuárias e rotas de navegação comercial, são impactos que podem causar danos sérios às baleias e/ou dificultar sua vida social.

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Emalhe em Redes de Pesca

Um dos piores impactos da humanidade sobre a vida marinha é a chamada “captura incidental” de animais marinhos pelas redes de pesca. Uma imensa quantidade de animais marinhos é capturada durante atividades de pesca com rede, e é descartada morta por não ter valor comercial (ou por ser protegida por lei e ter sua captura supostamente proibida). Dentre esses animais estão espécies já vulneráveis e ameaçadas de extinção, como tubarões, aves, tartarugas-marinhas e baleias e golfinhos, entre outros. Estima-se que globalmente mais de 650.000 mamíferos marinhos morram anualmente vitimados pelas redes de pesca.

Além das redes ativas na pesca, boa parte dos animais morre vítima das chamadas “redes fantasma”, que são redes inteiras ou em pedaços perdidas ou abandonadas propositalmente pelos pescadores, e que por serem de material muito leve seguem boiando a meia água, matando tudo o que entra em contato com elas. No Brasil, são frequentes os casos registrados de baleias e golfinhos feridos ou mortos pelo emalhamento em redes de pesca.

Colisão com Embarcações

Com a recuperação gradual das populações de baleias após centenas de anos de caça indiscriminada, elas estão voltando a reocupar suas áreas originais de distribuição nos mares – e encontrando águas muito diferentes das frequentadas por seus ancestrais, já que a atividade humana aumentou de maneira exponencial, incluindo aí o tráfego de grandes embarcações que alimentam o comércio mundial. Isso tem levado ao aumento preocupante de casos de colisões de navios com baleias, resultando frequentemente na morte destas.

 

No Brasil, o problema ainda não é uma ameaça às espécies de grandes baleias que aqui se reproduzem, mas visando prevenir seu agravamento o Projeto Baleia Jubarte desenvolve iniciativas junto a parceiros empresariais para estudar, debater e encaminhar soluções. Um exemplo bem-sucedido de iniciativa é o Grupo de Trabalho coordenado pelo Projeto e que conta com a participação da Veracel Celulose, Suzano e Norsul Navegação, e que utiliza uma combinação de observadores de bordo, treinamento de tripulações e manejo das rotas de navegação para reduzir o risco de colisões no transporte de toras de eucalipto por barcaças na região do Banco dos Abrolhos. Desde a implantação dessa parceria, nenhum caso de colisão com as barcaças foi registrado na região, tornando-a um modelo internacional de cooperação.

Políticas Públicas

As grandes questões relacionadas à conservação das baleias e do ambiente marinho dependem fundamentalmente da adoção de políticas públicas, na forma de leis, normas e programas de ação por agências de governo. Muitas vezes, entretanto, os governos e os organismos internacionais que são responsáveis por essas políticas dependem do aporte de informações técnico-científicas provenientes de instituições acadêmicas e ambientalistas para subsidiar a tomada de decisões.

 

Cumprindo sua função de promover a conservação marinha, o Instituto Baleia Jubarte e o Projeto colaboram diretamente com autoridades públicas em vários níveis, independentemente de partido ou governo, e com organismos internacionais relevantes para que as políticas públicas que dizem respeito à conservação das baleias, do meio marinho, e do seu uso sustentável sejam informadas pelo melhor conhecimento disponível e contem com nossa experiência de mais de três décadas de trabalho.

Recuperação

As baleias jubarte, como a maioria das grandes baleias, quase foi extinta pela caça indiscriminada que durou séculos e foi intensificada no século XIX com tecnologias modernas como o navio a vapor e o canhão-arpão. A matança reduziu as jubartes do Atlântico Sul a poucas centenas de animais, até ser proibida totalmente em 1968.

 

Desde 1988, o Projeto Baleia Jubarte trabalha intensamente pela proteção das jubartes remanescentes em nossas águas, monitorando a população sobrevivente e atuando junto às autoridades públicas para a implantação de normas e políticas de conservação. graças a esse esforço, as "nossas" jubartes saíram da lista oficial de espécies ameaçadas em 2014, e estão rumo à recuperação total da sua população!