Projeto Boto Cinza

O Programa de Pesquisa do Boto Cinza no estuário do rio Caravelas e adjacências, é desenvolvido desde 2002 como condicionante da operação do Terminal Marítimo de Caravelas da Suzano Celulose, dedicado ao transporte de eucalipto.

 

O boto-cinza, por ser um predador generalista de topo de cadeia, é uma espécie chave dentro dos ecossistemas costeiros onde vive. Características como a reprodução lenta, vida longa e movimentos restritos entre diferentes regiões da costa, limitados a águas de pouca profundidade, tornam o boto-cinza vulnerável a atividades antropogênicas que podem causar impactos e ameaçar a sua sobrevivência. Entre estas atividades está a pesca (que causa a morte por emalhamento ou a diminuição de seus recursos alimentares), o tráfego de embarcações (que pode causar atropelamentos e distúrbios comportamentais), alterações ou destruição de seus habitats (por obras de dragagem, portos, aterros e outras alterações no ambiente marinho, além de efluentes tóxicos e contaminantes de diferentes naturezas), entre outras. Por isto, é consenso entre os pesquisadores que esta espécie demanda medidas de conservação como a criação de áreas protegidas marinhas, regulamentação da pesca, gerenciamento da zona costeira, fiscalização e educação ambiental.

Distribuição

 

A distribuição do boto cinza abrange a costa atlântica, desde Honduras na América Central até a
região de Florianópolis no Estado de Santa Catarina.

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Fotos: Bianca Righi /Instituto Baleia Jubarte 
Monitoramento de Boto-cinza (Sotalia guianensis) no Entorno do Terminal Marítimo de Belmonte- BA

Desde 2017, campanhas sistemáticas de “Monitoramento de Boto-cinza (Sotalia guianensis) no Entorno do Terminal Marítimo de Belmonte-TMB” vêm sendo executadas pelo Instituto Baleia Jubarte sob condicionante ambiental empregada a empresa Veracel Celulose com o objetivo de avaliar possíveis interferências das atividades do TMB sobre os botos.

 

No mês de março de 2021, por exemplo, os pesquisadores da nossa equipe coletaram aproximadamente 765 minutos de gravações acústicas, observaram por 6.225 minutos o comportamento de 24 grupos de botos-cinza e monitoraram 336.85 milhas náuticas a partir de 10 dias de cruzeiros de pesquisa nas proximidades da área do TMB,  finalizando assim mais uma campanha com sucesso.

Para garantir a segurança da equipe e de todos envolvidos, protocolos de segurança foram desenvolvidos e os pesquisadores realizaram testes PCR para Covid-19 antes da campanha iniciar. Assim, finalizamos mais uma campanha com sucesso e aguardamos ansiosos pelos próximos resultados! 

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Fotos: Bianca Righi /Instituto Baleia Jubarte 
Monitoramento por Ponto Fixo

Os pesquisadores da nossa equipe acompanham os grupos de boto-cinza que frequentam a área do Terminal Marítimo de Belmonte a partir de estações de observações em terra – ponto fixo. Neste projeto, a metodologia de grupo-focal é empregada para estudar o comportamento, o tamanho e a frequência de ocorrência dos grupos, além de nos proporcionar algumas fotos da população! 

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Fotos: Bianca Righi /Instituto Baleia Jubarte 
Foto-identificação

A foto-identificação é uma metodologia muito utilizada em monitoramentos de cetáceos, pois permite a identificação individual de cada componente de uma população. A partir de observações realizadas em terra – ponto fixo, os pesquisadores da nossa equipe fotografam a nadadeira dorsal dos botos- cinza que utilizam a área interna do Terminal Marítimo de Belmonte. Cada indivíduo possui um padrão individual de marcas na nadadeira dorsal e, por isso, recebem diferentes identificações em um catálogo de foto-identificação da população.

Alguns indivíduos já são bem conhecidos pelos nossos pesquisadores, como por exemplo o macho “EME” (BL#11) que pesca frequentemente na área do TMB e o “Cortado” (BL#04), que apresenta marcas bem características em sua nadadeira dorsal. 

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Fotos: Bianca Righi /Instituto Baleia Jubarte 
Monitoramento Embarcado

Durante aproximadamente 10 dias por semestre, nossos pesquisadores realizam cruzeiros de pesquisa a fim de estimar o tamanho e a distribuição da população de botos-cinza que frequenta o Terminal Marítimo de Belmonte. Os cruzeiros seguem rotas predestinadas em zigue-zague que cobrem toda região costeira entre a foz do rio Preto e a foz do rio Jequitinhonha, limite norte do Banco dos Abrolhos e os botos são mais avistados próximo a foz do rio Jequitinhonha.

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Fotos: Bianca Righi /Instituto Baleia Jubarte 
Monitoramento Acústico

Em regiões costeiras antropizadas, como no caso de terminais portuários, os ruídos das embarcações podem impactar intensamente nos animais que dividem estas áreas com as atividades humanas. Por isso, o monitoramento dos sons produzidos pelos botos-cinza e dos ruídos antropogênicos durante a rotina de operação do Terminal Marítimo de Belmonte é extremamente importante para estudar a paisagem acústica da região e avaliar sua influência no comportamento sonoro dos botos. Além disso, permitem coletar dados em momentos que não é possível o observador estar presente.

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Veja também

Conservação das toninhas

O Instituto Baleia Jubarte realiza o monitoramento das toninhas nos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.